EXPERIÊNCIAS VIVIDAS POR ENFERMEIRAS NA PANDEMIA DE COVID-19: NARRATIVAS DE INTERESSE PÚBLICO.
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Resumo
A história oficial da pandemia, dificilmente exaltará as amarras e desgastes sofridos pelas profissionais enfermeiras durante suas atuações. O processo narrativo torna-se indispensável, tanto ao processo de construção da identidade dessas profissionais, quanto para que haja um reconhecimento das experiências vividas e muitas vezes invisibilizadas socialmente. As narrativas, quando comunicadas, permitem uma consolidação do conhecimento e transformação da realidade. O estudo tem como objetivo geral compreender, à luz da perspectiva de gênero, o significado que as enfermeiras atribuem às suas experiências vividas como mulheres e profissionais no contexto da pandemia da Covid-19, a partir das suas narrativas orais de histórias de vida. Pesquisa exploratória de abordagem qualitativa, pautada nos pressupostos teórico-metodológicos da história oral e da perspectiva de gênero. Os dados foram coletados por meio de entrevista em profundidade. O estudo contou com a participação de sete enfermeiras, atuantes em serviços públicos do município de São Caetano do Sul. As narrativas foram gravadas, transcritas na íntegra e analisadas de modo a apreender os significados das narrativas orais de histórias de vida, interpretados e discutidos à luz da categoria gênero. A partir da análise interpretativa, foram construídas duas categorias: os estereótipos e desigualdades de gênero na construção da identidade das enfermeiras; e a pandemia de Covid-19 potencializando as contradições de gênero na realidade das enfermeiras. Estas desvelaram os significados que emergiram das narrativas a partir da interpretação à luz do referencial teórico. A partir dos resultados, o estudo elaborou, como produto de intervenção, narrativas de interesse público no formato de tirinhas em quadrinhos, que possibilitem visibilidade às experiências pelas enfermeiras na pandemia da Covid-19. Desde a infância até a fase adulta foram evidenciadas diversas situações em que as amarras de gênero se fizeram presentes e em todas as experiências narradas foi possível identificar as relações de gênero que perpassam a profissão. Dentre os principais significados que as enfermeiras atribuíram às suas experiências vividas como mulheres e profissionais durante a pandemia destacaram-se a sobrecarga na rotina enquanto mulher e profissional de enfermagem, exclusão social e preconceito, a morte e o sofrimento dos pacientes no cotidiano do trabalho. Espera-se que o debate público sobre a relevância social da enfermagem brasileira possa ser traduzido na conquista de direitos que possibilitem condições materiais para o exercício da profissão com justiça social e equidade.