EDUCAÇÃO SEXUAL E SEXUALIDADE NO ENSINO FUNDAMENTAL - ANOS INICIAIS: DESAFIOS E PERSPECTIVAS

Resumo

O problema de pesquisa tem origem na dificuldade que se enfrenta em tratar de temas como educação sexual e sexualidade no contexto educacional. Diante desse obstáculo foi formulada a seguinte pergunta: sob a ótica do professor que atua no Ensino Fundamental - Anos Iniciais, quais as dificuldades, os obstáculos e os desafios enfrentados por ele no ensino dos conteúdos que tratam da temática “sexualidade” e “educação sexual”? Assim, o objetivo geral foi investigar e analisar as dificuldades, os obstáculos e desafios enfrentados pelo professor ao discutir os temas como “sexualidade” e “educação sexual” em sala de aula. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa de cunho descritivo-analítico, cujo campo de pesquisa foi uma escola municipal situada no Grande ABC Paulista. A fundamentação teórica aprofundou os conhecimentos sobre sexualidade e os conceitos que a integram, tendo como norteadores autores como Foucault, Louro, Suplicy, Figueiró, Ribeiro, Melo, Carvalho dentre outros. A pedagogia da sexualidade, as dificuldades para abordagem e a prática pedagógica, as autoras Figueiró, Melo e Carvalho. Com relação à postura pedagógica frente as relações professor-aluno-aprendizagem nos apoiamos em estudos de Freire e Lerner. A coleta de dados foi realizada por meio de ambiente virtual, com a aplicação de questionários e entrevistas. As participantes do estudo foram sete professoras que atuam no Ensino Fundamental - Anos Iniciais. Com a análise dos dados que foram gerados na pesquisa, constatamos que a maioria dos professores tem concepções sobre a temática associadas ao campo fisiológico, sendo os demais aspectos que compõem a sexualidade ignorados, com por exemplo, as questões sobre diversidade e gênero. Isso evidencia que o problema é vivenciado na sociedade, e consequentemente, seus reflexos são potencializados na escola. Inferimos com as narrativas das participantes que existe uma falta de formação para a compreensão sobre o que significa os conceitos que integram a sexualidade. As dificuldades apontadas como mais relevantes foram: a reação e aceitação das famílias, as questões religiosas, a falta de formação inicial e continuada, a ausência de parceria da equipe gestora e da rede de ensino. Como possibilidades e ações que podem contribuir para a prática pedagógica foram: ter acesso à materiais específicos e formação no horário da jornada de trabalho. Concluímos que temáticas que tratam da educação sexual e da sexualidade deveriam estar previstas na formação continuada, no planejamento escolar, por meio de projetos intencionais, como forma de viabilizar intervenções pedagógicas positivas, pois, a compreensão da sexualidade como parte indissociada do ser humano, ainda não é um consenso. Inferimos que apesar dos apontamentos das participantes sobre entraves pessoais relacionados aos mitos e tabus construídos socialmente, precisamos reconhecer que a potência dessa discussão está na escola, ambiente propício para se construir o conhecimento científico. Nesse sentido, a educação sexual emancipatória é um convite para a desconstrução de preconceitos, visando ultrapassar as desigualdades historicamente produzidas. Por último, como produto final apresentamos um primeiro esboço do material didático, que posteriormente será um e-book, com foco na formação do professor.


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