A INSERÇÃO DA LITERATURA MARGINAL-PERIFÉRICA NAS SALAS DE LEITURA DA REDE MUNICIPAL DE SÃO PAULO: OS ANOS INICIAIS EM FOCO
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Resumo
Esta pesquisa teve como objetivo investigar o processo de inserção da literatura marginal-periférica nas Salas de Leitura da Rede Municipal de São Paulo, com o propósito de contribuir para a compreensão da integração dessa literatura nas escolas, considerando suas vias e instâncias de inserção. Quanto ao referencial teórico da pesquisa, foram abordados: o conceito de literatura como direito do homem, a literatura e o cânone, a leitura literária na escola, a literatura como prática cultural e social, considerando contribuições de Antonio Candido, Regina Zilberman, Marisa Lajolo, para citar alguns, bem como estudos sobre a literatura marginal-periférica de Regina Dalcastagnè, Heloisa Buarque de Hollanda, Érica Peçanha do Nascimento, entre outros. Como método da pesquisa, foi adotado o estudo de caso, de abordagem qualitativa, com contribuição e inspiração da metodologia de pesquisa narrativa, para o exame de relatos dos entrevistados. Os dados da pesquisa foram produzidos com base em análise documental sobre a Sala de Leitura e entrevistas semiestruturadas realizadas com envolvidos no processo dessa inserção. Os dados da análise documental e das entrevistas contribuíram para a contextualização histórica das Salas de Leitura, como também para a explicitação de ações e propostas de políticas públicas que garantiram, na contemporaneidade, espaços para entrada das produções periféricas na escola. Os resultados obtidos com o estudo demonstraram a importância da legitimação e da inclusão da cultura periférica no contexto escolar, bem como os espaços existentes para sua inserção. Isso pode ser observado pelas ações de políticas públicas desenvolvidas, como a compra de acervo para as Salas de Leitura, a política de formação de professores, a instauração de projetos relacionados à leitura de textos não hegemônicos e outros. Contudo, as conclusões indicam que não existe apenas uma via efetiva de inserção da literatura marginal-periférica nas escolas. Mas, a primordial é a que ocorre no âmbito do território, ou seja, a que se contextualiza na escola, onde o professor é o parceiro incondicional desta ação de efetivação. Os resultados indicam que os professores podem, sim, ser influenciados por formações, projetos e ações de políticas públicas, como ponto de partida para novas ações. Ainda assim, isso não basta para que o professor incorpore o compromisso de romper com práticas docentes cristalizadas. É preciso considerar os aspectos envoltos em sua atuação, como suas crenças, valores e experiências, que interferem nas práticas que desempenham cotidianamente. A análise aponta para a necessidade da auto percepção dos professores acerca do seu fazer pedagógico e da formação docente com novas abordagens, na vertente do professor como sujeito, em que possa se ouvir sua voz, saber o que pensa e como pensa, propensa a conhecer e trabalhar as crenças e valores por trás das práticas educativas.