OS CÍRCULOS DE CULTURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: CONSTRUINDO UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA DIALÓGICA
Data
Orientador
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
Esta dissertação de mestrado apresenta os resultados de uma pesquisa realizada com crianças de 5 anos de idade em uma pré-escola municipal de Santo André/SP. Trata-se de uma pesquisa do tipo intervenção pedagógica, que teve como objetivo central construir uma prática pedagógica dialógica que se contraponha à perspectiva antidialógica e escolarizante que vem marcando a educação infantil. Parte do pressuposto de que meninos e meninas, desde que nascem, leem o mundo e o comunicam através de suas múltiplas linguagens. Contudo, em uma sociedade adultocêntrica como a brasileira, as vozes das crianças terminam por serem silenciadas nas diferentes instâncias de socialização, dentre elas as instituições educacionais. Norteada pela pergunta é possível construir uma prática pedagógica dialógica com crianças de 5 anos a partir dos círculos de cultura?, a pesquisa procurou identificar quais os elementos que constituiriam o trabalho com o círculo de cultura na educação infantil. Para isso, problematizou o silenciamento imposto às crianças e a urgência em escutá-las, tendo como referencial teórico os estudos de Paulo Freire em uma interlocução com pesquisadores(as) da área da infância, como Sonia Kramer, Adilson de Angelo, Marta Regina Paulo da Silva e Daniela Finco. A intervenção se deu a partir da realização de círculos de cultura que tiveram como tema gerador as relações de gênero, visto ter sido este um tema recorrente entre as crianças e dada a sua relevância frente à sociedade heteronormativa em que vivemos. Os resultados da pesquisa demonstram que a leitura que as crianças fazem de mundo está impregnada de vida, das suas vivências cotidianas, que, por meio de um movimento dinâmico se apropriam, confrontam e ressignificam a cultura. No que se refere às questões de gênero, reproduzem valores machistas ao mesmo tempo em que borram suas fronteiras revelando que para elas o binômio masculino e feminino ainda não se apresenta tão dicotomizado. Os dados evidenciam ainda o caráter diálogo que se estabeleceu nos círculos de cultura entre as crianças, entre elas mesmas e a docente-pesquisadora, marcado pelo respeito e pela amorosidade. Como produto final desta pesquisa, está sendo apresentada uma proposta com os princípios e diretrizes para o trabalho com círculos de cultura na educação infantil, no intuito de subsidiar os(as) educadores(as). Conclui-se este trabalho ciente dos limites que o circunscrevem e reconhecendo a necessidade de novas pesquisas que investiguem os desafios e as possibilidades do trabalho com os círculos de cultura na educação infantil.