ACOLHER PARA DESENVOLVER: O PROFESSOR INICIANTE E OS PROCESSOS DE INDUÇÃO PEDAGÓGICA, PRIMÍCIAS DO TRABALHO FORMATIVO
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Resumo
O presente trabalho teve por objetivo geral analisar os desafios vivenciados pelos professores iniciantes na carreira, no tocante ao acolhimento, à constituição de vínculos e ao seu desenvolvimento nas ações formativas. Trata-se de um estudo descritivo-analítico de natureza qualitativa, cujo campo da pesquisa foi a Rede Municipal de Santo André. O problema de pesquisa originou-se das experiências vivenciadas ao longo da função de professora e de coordenadora pedagógica, tendo sido formulado na seguinte questão: Como os professores iniciantes na carreira são acolhidos e acompanhados no desenvolvimento de suas ações pedagógicas, “aprendendo a ser professor”? A fundamentação teórica aprofundou os conceitos referentes ao desenvolvimento profissional docente do professor iniciante, destacando-se o processo de acolhimento como forma de promover o desenvolvimento do conhecimento pedagógico do conteúdo, os processos de indução pedagógica e a importância da constituição de vínculos entre o CP e o professor iniciante para o desenvolvimento do processo formativo. Os estudos de Nóvoa, Imbernón, Mizukami, Shulman, Almeida, Gouveia e Placco apoiaram a construção do referencial teórico e da análise de dados. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário, visando a caracterizar o grupo pesquisado e também por entrevistas. Foram entrevistadas duas professoras iniciantes na carreira, dois professores que atuaram como Professores de Apoio à Formação, uma coordenadora de projeto, uma diretora e uma coordenadora pedagógica. Os achados revelaram que se sentir pertencente ao grupo da escola mostrou-se um aspecto importante para as entrevistadas. Quando realizado, o acolhimento foi feito por um gestor ou por alguns colegas de profissão, e não pelo grupo na totalidade. Ações essenciais, como o exercício da escuta, da fala e do olhar, premissas essenciais para o tema em pauta, foram pouco evidenciadas pelos docentes iniciantes. Todavia, notou-se a preocupação dos demais sujeitos com o desenvolvimento de ações pontuais e individualizadas. Sobrecarregados por demandas de diferentes ordens, a CP e demais gestores não conseguem aprofundar um acompanhamento específico para os que iniciam, sendo que a rotatividade e a mudança de escola fragilizam a aprendizagem das docências. A reflexão da prática, realizada pelo professor iniciante, ocorre, na maior parte das vezes, de forma solitária, pois os conhecimentos pedagógicos não são ensinados na instituição escolar, nem nos momentos formativos. A construção do conhecimento pedagógico do conteúdo foi pouco mencionada pelos sujeitos, o que demonstra o não saber e a pouca percepção do grupo acerca dos diferentes conhecimentos necessários ao desenvolvimento da docência. Os dados revelaram ainda que ações vinculadas ao processo de indução, sejam pequenas ou de grande vulto, são premiadas por resultados favoráveis. Nesse caminho, reafirma-se a relevância de bons modelos ou mentoria, o que permite aos sujeitos refletirem de forma intencional sobre sua prática, mobilizando conhecimentos, ações e a prática docente. Por fim, deflagrou-se a necessidade de investimento institucional contínuo no processo de indução, para que a rede tenha professores mais preparados diante dos desafios da promoção de uma educação de qualidade social, comprometida com a aprendizagem dos alunos. Por último, no formato de e-book, apresentou-se o produto, que tem como proposta o acolhimento e a inserção do professor iniciante.