A LINGUAGEM DO OLHAR: A FOTOGRAFIA NA DOCUMENTAÇÃO PEDAGÓGICA DA CRECHE
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Resumo
Esta pesquisa foi desenvolvida em uma creche pública da Rede Municipal de Santo André/SP, com professoras que atuam com crianças de 0 a 3 anos, e teve como questão orientadora: Como a fotografia, enquanto linguagem, na documentação pedagógica, pode contribuir para tornar visíveis as expressões, descobertas e interações das crianças pequenas na creche? A partir dessa problemática, estabeleceu-se, como objetivo geral, compreender como a fotografia, enquanto recurso da documentação pedagógica, contribui para dar visibilidade às expressões, descobertas e saberes das crianças na creche. Parte-se do pressuposto de que a fotografia, integrada à documentação pedagógica, configura-se como linguagem ética, reflexiva e democrática, que valoriza os processos em curso e a participação de crianças, educadores(as) e famílias. Ao transformar momentos cotidianos em narrativas visuais, a fotografia promove a escuta sensível, amplia a reflexão docente e favorece a construção coletiva de sentidos sobre o vivido. O referencial teórico está embasado nos estudos sobre infância, documentação pedagógica e fotografia como linguagem cultural, compreendendo a criança como sujeito de direitos e produtora de cultura. No caso da documentação pedagógica, ela é concebida como prática democrática e formativa, capaz de potencializar a escuta e a reflexão docente a partir dos registros visuais. A abordagem metodológica adotada foi qualitativa, por meio de pesquisa colaborativa, envolvendo entrevistas, observação participante, registros fotográficos e encontros formativos com as docentes participantes. Os resultados indicam que, embora a fotografia já estivesse presente nas práticas cotidianas, sua utilização nem sempre ocorria com intencionalidade pedagógica. O processo formativo colaborativo possibilitou a ressignificação dessa prática, ampliando o olhar docente para as múltiplas linguagens das crianças e fortalecendo o diálogo entre creche, famílias e comunidade. Os registros fotográficos revelaram expressões de curiosidade, encantamento e concentração, evidenciadas em gestos, olhares e interações. Assim, mostraram descobertas ligadas à exploração do corpo, do espaço e dos materiais, bem como trouxeram à tona saberes construídos coletivamente nas brincadeiras, nas relações entre pares e nas interações com adultos(as). Como desdobramento da investigação, foi elaborado um produto educacional no formato de catálogo fotográfico, concebido como recurso formativo, que articula imagem, escuta e reflexão, contribuindo para a consolidação de práticas pedagógicas mais sensíveis, democráticas e intencionais na Educação Infantil.
