A AVALIAÇÃO DOCUMENTADA E PARTICIPATIVA NA CRECHE NO CONTEXTO DE PANDEMIA: NARRATIVAS DA TRAJETÓRIA DE APRENDIZAGEM

Resumo

Esta pesquisa foi realizada em uma creche pública da Rede Municipal de Educação de Santo André/SP, com um grupo de crianças de 2-3 anos, durante o período pandêmico decorrente do COVID-19, o qual acarretou na necessidade de construção de um projeto educativo emergencial de atendimento remoto. Neste cenário, este estudo teve como pergunta orientadora: Como construir um processo de avaliação participativa que narre a trajetória de aprendizagem das crianças pequenas em contexto de pandemia? Com base nesta problemática, o objetivo geral foi o de construir um processo de avaliação documentada e participativa que tornasse visível a trajetória de aprendizagem de crianças de 2-3 anos em contexto de pandemia. Parte da compreensão de que a avaliação na Educação Infantil é um fazer processual que contempla a participação efetiva da tríade: crianças, educadoras e famílias, o qual tem como finalidade o acompanhamento da ação educativa e do percurso de aprendizagem de meninos e meninas. O referencial teórico está embasado nos estudos e pesquisas da sociologia da infância, pedagogia da infância, pedagogias participativas, bem como na legislação referente à Educação Infantil. Como procedimento metodológico, optou-se pela abordagem da pesquisa interventiva. Assim, o projeto de intervenção deu-se através da construção de uma sistemática de avaliação documentada e participativa. Para tanto, o processo documental coletivo denominado “Como nós e nós” – o qual foi construído no decorrer da trajetória educativa remota a partir dos registros envidados pelas famílias e crianças – subsidiou a construção das narrativas individuais de cada criança, que se consolidou como o instrumento avaliativo para atender à especificidade da avaliação de acompanhamento. Os registros da professora pesquisadora e entrevistas com as famílias também foram utilizados como instrumentos de coleta de dados. Como resultados, este estudo indica que a perspectiva de educação não presencial não comunga com a especificidade do projeto educativo da creche. Entretanto, a continuidade do atendimento às crianças através das ações em parceria entre creche e famílias evidenciou a potência da atuação colaborativa entre as instituições. Em contrapartida, a comunicação com os meninos e meninas foi um desafio, o que exigiu escutar suas vozes para além da linguagem verbal, através da interpretação de fotos e vídeos que eram compartilhados no grupo virtual. Com relação ao fazer avaliativo, demonstrou que a documentação pedagógica viabiliza a participação da tríade, em congruência com um projeto de educação de infância dialógico em que todos(as) envolvidos(as) tenham garantido o seu direito de fala e escuta. Por fim, conclui que a experiência remota reverbera em reflexões para (re)pensar as práticas a serem desempenhadas no retorno ao atendimento presencial, no que se refere às ações em parceria entre creche e famílias e a consolidação de uma prática avaliativa contextualizada ao cotidiano pedagógico, de acompanhamento e testemunhal, coconstruída por adultos(as) e crianças. Como desdobramento desta investigação, será produzido como produto educacional um E-Book, o qual terá como premissa contribuir com o processo reflexivo na busca pela realização de “novos possíveis” ao fazer avaliativo na creche.


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