DOCÊNCIA MASCULINA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: CONCEPÇÕES DE GESTORES E DE GESTORAS ESCOLARES
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Resumo
O reduzido número de homens em comparação ao número de mulheres atuando na Educação Infantil é visível. Assim sendo, esta pesquisa, de natureza qualitativa, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, na linha de Pesquisa “Formação de Professores e Gestores”, teve como questão de pesquisa: Como o gestor e a gestora escolar de Educação Infantil gerenciam situações cotidianas que envolvem a atuação de profissionais do sexo masculino no trato com criança nesse nível de ensino? O objetivo geral foi, então, compreender as concepções de gestores e de gestoras escolares de Educação Infantil acerca da atuação de homens nesse nível de ensino. Para alcançar esse objetivo, os seguintes caminhos foram delineados: a) localizar as escolas de Educação Infantil nas cidades de São Caetano do Sul e Mauá que têm professores do gênero masculino exercendo a docência nesse nível de ensino; b) verificar como os gestores e as gestoras dessas escolas lidam com situações inerentes à atuação masculina nos atos de cuidar e educar; c) identificar como os gestores e as gestoras dessas escolas encaminham as demandas familiares em relação à atuação de homens para com as crianças; d) propor um plano de ação educacional com foco em educação e gênero na escola de Educação Infantil. Os dados foram coletados com um gestor e seis gestoras de seis escolas municipais de Educação Infantil dos municípios de São Caetano do Sul e Mauá, na região do Grande ABC paulista, por meio de entrevistas com roteiro semiestruturado. De posse dos depoimentos dos participantes da pesquisa, os dados foram agrupados, categorizados e analisados na perspectiva da análise de conteúdo de Bardin (2011). As seguintes categorias de análise surgiram: 1) Percepção de pais sobre a atuação de professores homens na Educação Infantil; 2) Gestão de conflitos na escola de Educação Infantil; 3) O professor homem e o cuidar na escola de Educação Infantil; e 4) O papel da gestão na naturalização da docência masculina na escola de Educação Infantil. Em geral, os resultados mostraram que a chegada de um professor homem nas escolas de Educação Infantil causa receio, tanto por parte dos gestores e das gestoras como por parte dos pais. Esse receio está atrelado ao fato de que os pais não consideram viável que professores homens tenham contato físico com as crianças por considerarem que essa é uma atividade para as professoras. Os resultados mostram também que as discussões sobre gênero não são comuns nas escolas de Educação Infantil, mas, com a chegada de um professor, o assunto aflora entre os adultos, mas não entre as crianças que são pequenas e não têm essas preocupações. Outro achado da pesquisa é que, diante dos conflitos causados na escola por conta da chegada de professores (homens), os gestores buscam equacionar o problema propondo diálogo com os pais os quais são fundamentados teoricamente e na legislação vigente. Por fim, verificou-se que, apesar das diferenças territoriais e econômicas entre os municípios investigados, não existem diferenças significativas entre as gestoras e os gestores acerca da atuação do professor homem nas escolas de Educação Infantil. Como produto final, considerando as concepções dos participantes da pesquisa, bem como o cenário político atual, foi proposto o plano de ação “Gestão Escolar e Gênero: uma discussão necessária em tempos incertos”, que poderá servir de referência para gestores escolares fazer uma discussão da temática com professores, tendo como foco a educação em direitos humanos, diversidade e gênero no ambiente escolar.