PERCEPÇÕES DOS DOCENTES E DISCENTES SOBRE FEEDBACK EM CAMPUS PRÁTICOS DA REDE DE SAÚDE EM DIADEMA

Resumo

Introdução: O ensino médico no Brasil recebeu influência europeia e americana desde o século XIX. Um marco de modificação contemporânea no ensino foi a formulação das Diretrizes Curriculares Nacionais de 2001 e 2014, estabelecidas pelo ministério da educação, no qual, foram implementadas as metodologias ativas no ensino médico. Um importante instrumento utilizado para avaliação dos alunos nessa nova metodologia de ensino é o feedback, em que o aluno participa da avaliação da sua própria aprendizagem, detectando suas fragilidades e elaborando melhorias a serem realizadas e pautadas com bases nas competências pretendidas. No entanto, para um feedback ser efetivo diversos aspectos devem ser analisados. Objetivo: Analisar a percepção sobre feedback, na visão dos preceptores e dos alunos, durante os estágios práticos em Diadema do curso de medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Métodos: Estudo qualitativo/quantitativo envolvendo todos os alunos que concluíram os estágios práticos no período de março de 2018 a agosto de 2019 (n=30), assim como, todos preceptores responsáveis pelos estágios (n=8). Foi avaliado conhecimento sobre feedback na visão dos discentes e dos preceptores utilizando questionários com questões categóricas e abertas. Os dados categóricos são apresentados por números e percentuais, já para as questões qualitativas foi utilizada a técnica de análise de conteúdo. Resultados: Um total de 25% dos preceptores e 53,3% dos alunos relatam ter muito conhecimento sobre o que é feedback. Os preceptores (75%) mostram clareza sobre o objetivo de fornecer feedback e mencionam: apontar melhoria, reflexão crítica e oportunidade de adequações. Enquanto, 63,3% dos alunos relatam clareza com os objetivos e apontam: esclarecimento de dúvidas, planejamento de melhorias e conhecimento de pontos positivos. Os preceptores afirmam fornecer feedback muito frequente ou em todas aulas práticas (50%), diferindo da visão dos alunos os quais 26,7% relatam receberem frequentemente e gostariam de receber com mais frequência. Os alunos desejam que o feedback seja construtivo e em local privado. Metade dos preceptores tem dificuldade em dar feedback negativo, porém, 60% dos alunos relatam lidar bem com críticas. Apenas 25% dos preceptores dizem saber avaliar se o feedback foi efetivo para o aluno, já 93,3% concordam que o feedback trouxe impacto positivo no aprendizado prático. Discussão: Preceptores sentem dificuldade de darem devolutivas negativas, com correções por receio de causarem frustrações; os alunos tem boa aceitabilidade das devolutivas, reforçando que há um entrosamento entre preceptor e aluno nos estágios propiciando mudanças de comportamento e tiveram alguns impactos negativos devido à sua exposição diante correções Conclusão: Embora os preceptores tenham algum conhecimento sobre o feedback, eles têm dificuldades de como transmitirem o conteúdo das devolutivas, principalmente quando envolvem críticas. Os alunos aceitam críticas e exigem que o feedback seja uma prática constante nos estágios práticos. É necessário melhorar o processo de fornecer e receber feedback.


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