PRÁTICAS DE ALFABETIZAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DE ATITUDES INVESTIGATIVAS

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo principal investigar práticas de ensino, mobilizadas pelo professor alfabetizador, que colaborem para o desenvolvimento de uma postura investigativa das crianças na aprendizagem da língua escrita na alfabetização, sob a ótica do docente. Seguindo a abordagem qualitativa e o método exploratório de pesquisa, buscamos, primeiramente, compreender a importância do desenvolvimento da postura investigativa na aprendizagem da língua escrita na alfabetização. Para tal, realizamos uma retrospectiva histórica acerca dos métodos de alfabetização adotados nos últimos 30 anos até os dias atuais, destacando-se aspectos dos métodos tradicionais, das vertentes construtivista de Piaget e sociointeracionista de Vygostsky, bem como das perspectivas de letramento, proposta por Magda Soares. Com base em John Dewey, Juan Delval e Delia Lerner, discutimos situações de ensino e de aprendizagem que podem contribuir para o desenvolvimento de uma postura investigativa por parte do aluno. Recorremos também à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a fim de apontar aspectos do documento que remetem à relação entre o desenvolvimento da postura investigativa do aluno e seu processo de aprendizagem da língua materna. Posteriormente, realizamos entrevistas com sete professoras alfabetizadoras de uma escola particular da cidade de São Paulo, por meio de um questionário que, a cada grupo de entrevistas, foi sendo reelaborado, constituindo um tipo de instrumento/inventário que pode servir para o levantamento de dados sobre o desenvolvimento de postura investigativa dos alunos em contextos de alfabetização. Com a análise das entrevistas, levantamos alguns indicadores que evidenciam relações entre a postura investigativa e as práticas de alfabetização relatadas pelas professoras: as situações de aprendizagem são organizadas respeitando-se o tempo de cada criança; as atividades acontecem individualmente, de forma coletiva, em grande grupo, ou de forma diversificada, em pequenos grupos, ou seja, os grupos de crianças realizam diferentes propostas coerentes com o ritmo de aprendizagem delas; as práticas de ensino são situações propostas de maneira sistemática e com regularidade, com o objetivo de construir atitudes e desenvolver hábitos que colaborem para a formação da autonomia; as práticas são sugeridas tendo como princípio permitir que as crianças projetem/pensem em possíveis soluções para os desafios propostos nas situações de aprendizagem. Em síntese, as análises evidenciam que as professoras alfabetizadoras entrevistadas reconhecem que, ao se alfabetizar, o discente se transforma enquanto indivíduo, passando a ter mais autonomia e capacidade de questionar, transformar opiniões existentes e criar soluções para os problemas. Por outro lado, percebemos que a ideia de postura investigativa na alfabetização ainda não se encontra muito clara na perspectiva das professoras, de modo que necessita ganhar espaço no contexto escolar. Como produto final do trabalho, elaboramos material de apoio ao professor alfabetizador, oferecendo subsídios ao desenvolvimento desse profissional na direção de uma atuação mais autônoma e autoral em sala de aula, que contribua para a formação de alunos também autônomos e protagonistas de seu aprendizado.


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