"APENAS BRINCANDO?" BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL DE SÃO CAETANO DO SUL

Resumo

Esta dissertação apresenta os resultados de uma pesquisa que teve como objetivo compreender o modo como os brinquedos e as brincadeiras estão inseridos nas instituições municipais de educação infantil de São Caetano do Sul, na perspectiva de construir propostas de intervenção sobre a prática pedagógica. O estudo parte do pressuposto de que o brincar constitui atividade central da infância, sendo este um direito inalienável das crianças, o que torna as brincadeiras um dos eixos do trabalho pedagógico em creches e em pré-escolas. Entretanto, frente a uma sociedade adultocêntrica e grafocêntrica como a brasileira, os tempos e espaços destinados às brincadeiras vêm sendo substituídos por práticas escolarizantes, que visam à inserção das crianças, cada vez mais cedo, no sistema de produção capitalista. Frente a tal cenário, a pergunta da presente investigação é: "de que forma os brinquedos e as brincadeiras estão inseridos nas instituições de educação infantil de São Caetano do Sul?" O referencial teórico utilizado reporta-se aos estudos de Gilles Brougère, William Arnold Corsaro, Daniela Finco, Gisela Wajskop, Marta Regina Paulo da Silva, Patrícia Dias Prado e Tizuko Morchida Kishimoto, uma vez que estes(as) pesquisadores(as) defendem o brincar enquanto produção sociocultural e as crianças como cidadãs, participantes ativas da sociedade e produtoras de cultura. A opção metodológica foi pela pesquisa qualitativa, tendo sido realizado um estudo exploratório em uma pré-escola municipal, partindo-se da observação da prática de cinco professoras, no intuito de afinar as hipóteses e objetivos deste estudo, bem como traçar o percurso para o desenvolvimento de grupos focais, um realizado com cinco professoras de educação infantil e, outro, com cinco formadoras do Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação (CECAPE). A análise dos dados revela que poucos momentos do cotidiano das instituições são destinados ao brincar livre das crianças, sendo tal fato justificado pelas docentes em função de uma organização da rotina que privilegia, sobretudo nas turmas de quatro e cinco anos, atividades voltadas à alfabetização, demarcando, assim, um modelo escolarizado que termina por marginalizar a iniciativa, a expressão e a criatividade de meninos e meninas. Tal análise demonstra ainda divergências entre as professoras e as formadoras no que se refere à falta de materiais e espaços adequados para as brincadeiras; com relação às concepções sobre o brincar, evidencia tanto a existência de perspectivas que o definem como nato, como aquelas que o consideram ser uma construção social e cultural. No que concerne à produção das culturas infantis, indica não haver clareza quanto à sua compreensão por parte de ambos os grupos. Desvela ainda a necessidade de um espaço de diálogo entre a equipe de professores(as) e formadoras do CECAPE, na perspectiva de construção de uma prática pedagógica que tenha o brincar como eixo estruturante do trabalho, fator que conduziu à elaboração de uma proposta de formação para os(as) docentes e formadoras de educação infantil, que constitui o produto final desta pesquisa.


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