RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NA CRECHE: PRÁTICAS QUE INCENTIVAM O RESPEITO AO “OUTRO”
Data
Orientador
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
A sociedade brasileira é caracterizada por suas diferenças, sejam estas políticas, econômicas, culturais e fenotípicas. Essas diferenças estão presentes já na educação infantil – primeira etapa da educação básica – e, por conseguinte, na creche, um dos primeiros espaços sociais no qual bebês e crianças bem pequenas encontram-se com seus pares e vivenciam práticas pedagógicas que podem ou não reforçar a discriminação, o preconceito e a estigmatização, que impactam na constituição da identidade e da autoestima de todas as crianças. No intuito de se ter uma creche em que todos e todas possam se sentir pertencentes, a presente pesquisa objetivou compreender, segundo as percepções das docentes e assistentes pedagógicas entrevistadas, o modo como a temática das relações étnico-raciais é trabalhada no cotidiano da creche no município de Santo André. Trata-se de uma pesquisa exploratória, com abordagem qualitativa, que teve como procedimentos metodológicos: a investigação documental e a realização de dois grupos focais, sendo um com quatro professoras atuantes em creche e outro com quatro assistentes pedagógicas. O referencial teórico dialogou com os estudos da sociologia da infância, da pedagogia e das relações étnico-raciais. Os resultados revelam que as creches do município de Santo André possuem ações pontuais em relação à temática das relações étnico-raciais, seja na oferta de formações em serviço, as quais são realizadas pelos(as) assistentes pedagógicos(as), seja no planejamento efetuado pelos(as) docentes, o qual não envolve todas e todos na construção de uma educação antirracista, algo que tem por consequência a manutenção do preconceito racial e da discriminação nos espaços da creche. Ademais, observam-se relatos de uma prática pedagógica marcada por dúvidas referentes a como incluir a temática das relações étnico-raciais no cotidiano da creche e, por conseguinte, como atender às crianças negras, assegurando-lhes a construção de uma identidade positiva. As assistentes pedagógicas e as docentes entrevistadas evidenciam a carência de formações acerca das relações étnico- raciais que partam da Secretária de Educação do Município, bem como a falta de materiais que auxiliem neste processo. Como produto educacional e desdobramento dessa investigação, a partir das necessidades e sugestões das participantes, elaborar-se-á um caderno de apoio pedagógico com sugestões para formação dos(as) docentes e de práticas a serem desenvolvidas nas salas referências e nos espaços das creches. O objetivo do produto é fomentar mudanças educacionais por meio da inserção de práticas pedagógicas decoloniais e emancipatórias, uma vez que a creche deve constituir-se como um ambiente de possibilidades e de combate a qualquer forma de discriminação.