INTEGRALIDADE DO CUIDADO NO ENSINO SUPERIOR DOS CURSOS DA ÁREA DA SAÚDE

Resumo

Introdução: apesar dos avanços no ensino superior em saúde, ainda predominam os currículos tradicionais, fragmentados, em que se valoriza a especificidade, a especialidade, dificultando o olhar interdisciplinar do cuidado e a atuação em equipe, mesmo que as Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos na área da saúde preconizem a formação integral e integrada. Objetivo: desenvolver uma tecnologia educacional com o intuito de contribuir na orientação dos docentes a trabalharem a temática integralidade na área da saúde, a partir das percepções de graduandos de uma universidade municipal. Metodologia: estudo prospectivo, transversal, descritivo, de abordagem quantitativa, com amostra não probabilística, selecionada por conveniência, sendo incluídos alunos matriculados nos últimos dois semestres dos cursos de graduação em Educação Física, Farmácia, Fisioterapia, Enfermagem, Nutrição, Psicologia e Odontologia da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Foi aplicado de forma remota um instrumento com questões objetivas sobre conceitos de integralidade, clínica ampliada, interdisciplinaridade, ministrados ao longo da graduação. Além disso, havia uma autoavaliação sobre competências desejáveis para o exercício de atividades no contexto interdisciplinar do cuidado. A partir da análise desses resultados foi criado um guia de boas práticas, denominado “Guia de Boas Práticas de Ensino de Integralidade na área da saúde”, onde há a parte teórica relacionada com o tema central e atividades que podem promover um melhor aprendizado dos discentes em relação ao tema, com base em metodologias ativas. Resultados: participaram 133 estudantes, sendo 36 homens e 97 mulheres. Verificou-se que 69,6% afirmaram que os conceitos de integralidade e clínica ampliada foram tratados frequentemente ou com muita frequência durante o curso; 71,4% presenciaram ou tiveram contato com práticas interdisciplinares na graduação. Observou-se que 83 alunos (62,4%) responderam que estariam preparados para trabalhar em equipes interdisciplinares; 50 participantes (37,6%) responderam que não se sentiriam preparados. Entre 15 e 20% dos participantes se sentem pouco capazes ou incapazes de trabalhar em equipe; respeitar a opinião dos colegas; contribuir positivamente nas discussões e tarefas; favorecer a participação de colegas nas discussões; e de ter flexibilidade diante de conflitos e discordâncias. Considerações Finais: os achados apontam para a necessidade de revisão das práticas de ensino em saúde relacionadas à atuação interdisciplinar, evidenciando que apesar das diretrizes preconizarem a formação generalista e integrada, ainda há discentes que se sentem despreparados e incapazes de atuar em equipe, sendo imprescindível reforçar princípios do cuidado integral e interdisciplinar, valorizando a atuação em equipe.


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