UM E OUTRO NORTE - MAD MARIA: AS INOVAÇÕES DE LINGUAGEM NA PASSAGEM DA NARRATIVA LITERÁRIA PARA A TELEVISIVA

Resumo

A obra ficcional Mad Maria, do escritor Márcio Souza, foi um marco para a literatura amazonense. Apresentou ao país um momento histórico praticamente desconhecido da maioria: a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, que pôs fim à Questão do Acre entre Brasil e Bolívia, por meio do Tratado de Petrópolis. A obra, contudo, ganhou repercussão nacional a partir da produção de uma minissérie homônima, exibida em 2005 pela maior rede de televisão no Brasil. Tal produção ampliou o alcance da obra literária a partir de um novo espaço: o meio televisivo. Com o objetivo de identificar as inovações na linguagem narrativa transcodificada da obra literária Mad Maria para teleficção, buscou-se analisar os elementos estruturais da narrativa, a partir das características dos dois roteiros: o literário e o teleficcional, tendo como principais suportes as contribuições de Barthes no quesito estrutura da narrativa e de Balogh em relação às características da linguagem do audiovisual. A obra Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação guiou o caminho para a compreensão da importância da pesquisa bibliográfica (Ida Regina C. Strempf) e da análise documental e de conteúdo como método e técnica da pesquisa empreendida (Sônia Virgínia Moreira). Concluiu-se que a minissérie Mad Maria foi inovadora porque reconstruiu detalhes de um momento histórico a partir de dois ambientes díspares. Da selva captou-se a sensação de infinito do ambiente em relação à finitude e à pequenez humana. Da capital federal, de como as trapaças constroem rotas que se perdem na insensatez de cada um, porque o potencial narrativo aponta muitas direções. A síntese literária remete o telespectador a um momento histórico reconstruído a partir de duas selvas: a amazônica e a das negociatas. Tanto numa como noutra, a sobrevivência depende muito das amarras construídas pelo caminho. Se numa o homem ousar vencer a natureza, como fez a personagem que queria transportar um piano pelas corredeiras, pode morrer afogado. Ou, como no caso de Percival Farquhar, para quem o brasileiro não passava de um deslumbrado. E, por achar que já o compreendia sobremaneira, colheu os prejuízos de uma aventura ditada pela ousadia de quem não respeita seu oponente. Como dizem algumas rodas políticas, o Brasil não é para amadores, assim como o potencial criador e criativo de seu povo.


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