DIMINUINDO DISTÂNCIAS: INOVAÇÕES ORIENTATIVAS NA ABORDAGEM DOS PACIENTES AMBULATORIAIS VISANDO MELHORAR A ADERÊNCIA AO TRATAMENTO DE PATOLOGIAS GASTROENTEROLÓGICAS

Resumo

O ambulatório tem como função primordial dar continuidade aos atendimentos de casos encaminhados das unidades básicas de atendimento à população. Dentre as patologias mais frequentes na área de gastroenterologia destacam-se as dispepsias funcionais e as gastrites. Um problema observado na experiência do atendimento ambulatorial é que a aderência ao tratamento preconizado pelo médico ao paciente em muitas vezes pode ser comprometida pelo distanciamento temporal (delta T consulta) entre a primeira consulta e o retorno. Objetivos: Propor novas abordagens para melhorar a aderência dos pacientes ao tratamento preconizado para dispepsias funcionais e gastrites. Método: Estudo quali- quantitativo, com envio de vídeos orientativos, para pacientes com dispepsia funcional e gastrite. Este estudo foi realizado nas dependências do ambulatório regional de especialidades de saúde. Foram direcionados 3 vídeos orientativos, por WhatsApp, um por semana, ao longo de 3 semanas após a primeira consulta de cada paciente. Resultados: A amostra abrangeu 50 pacientes, com dados coletados entre os meses de março a outubro de 2021. Foram 35 pacientes do sexo feminino (70%) e 15 do sexo masculino (30%). A média de idade foi de 55,7 anos (15,3). A predominância (48%) teve como nível de escolaridade o ensino médio. Todos obtiveram o diagnóstico inicial de dispepsia a esclarecer, sendo que a maior parte foi de algum tipo de gastrite (62%) no diagnóstico final. Também foi avaliado o Delta T consulta, com média de 10,6 semanas (1,9). O questionário pré-vídeos, de 4 perguntas, foi respondido, evidenciando que 30% dos pacientes ficam em dúvida sobre sua doença e em relação ao tratamento e aguardam o retorno a uma nova consulta para dirimir essas dúvidas com seu médico. No questionário pós-vídeos, de 9 perguntas, as respostas mostraram que 82% dos pacientes melhoraram com o tratamento, 44% reportaram mudança alimentar como importante para a melhora, 98% entenderam os vídeos, 74% acharam que o método poderia ser utilizado para outras especialidades e 90% indicariam esse método para outras pessoas. Discussão: Compararam-se os dados da caracterização dos pacientes com aspectos da prevalência nacional e estatísticas internacionais recentes, mostrando similaridade e compatibilidade. Na análise dos resultados das respostas ao questionário pré-vídeos foi observado que o grande espaçamento entre uma consulta e outra compromete o entendimento dos pacientes, dificultando sua aderência ao tratamento; no segundo questionário, pós-vídeos, ficou evidente que os pacientes se sentiram mais próximos do saber médico pelas informações recebidas nos vídeos. Procurou-se também discutir comparativamente com outros estudos na literatura, observando-se críticas construtivas e comparações favoráveis, assim como futuros encaminhamentos, como validação dos textos orientativos e dos vídeos orientativos. Conclusão: A orientação ao paciente é fundamental como estratégia para o melhor entendimento de sua doença e o tratamento proposto pelo médico. Uma abordagem inovadora para isso é apresentada através do produto resultante do estudo deste trabalho. Pôde ser observado que o produto estimulou uma melhor relação médico-paciente. Estudos com uma casuística maior que a utilizada poderá no futuro dar validação aos textos orientativos, vídeos orientativos e questionários utilizados.


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