GRAFITES DA MEMÓRIA: VIDA E MASSACRE DO CALDEIRÃO DA SANTA CRUZ DO DESERTO COMUNICADOS NO CONCRETO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI - UFCA

Resumo

Nas instituições há disputa pelos espaços de comunicação onde circula o maior número de pessoas devido às subjetividades que o alcance destas informações podem criar. O grafite, pela extensão e dinamismo que possui, impulsiona a urbe do campus Juazeiro do Norte da Universidade Federal do Cariri e se constitui como potente ferramenta de comunicação para significar os espaços de maior circulação com as memórias coletivas locais. Dentre as memórias da região do Cariri delimitamos a comunidade sociorreligiosa liderada pelo beato José Lourenço, que ocupava as terras doadas pelo Padre Cícero de 1926 a 1936, e que se tornou conhecida pela experiência bem-sucedida de organização do trabalho – após a morte do santo popular e em decorrência dos interesses dominantes da época, os camponeses sofreram perseguição e massacre. Neste estudo objetivamos desenvolver, por meio das técnicas do grafite, um projeto de comunicação desta memória silenciada do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto para a UFCA campus Juazeiro do Norte; buscamos caracterizar, por meio dos relatos orais dos remanescentes do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, os elementos visuais que melhor refletem a memória silenciada da comunidade. Além disso, propomos elaborar um projeto de grafite para a UFCA campus Juazeiro do Norte que comunique a memória silenciada do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto bem como diretrizes para reprodução desse produto em outros campi de outras regiões. O estudo é baseado em pesquisas exploratória e qualitativa se utilizando das técnicas de relatos orais para a coleta dos dados junto aos remanescentes e seus familiares. Os caminhos de silenciamento e esquecimento percorridos por estas memórias nos levam a compreender a não linearidade das narrativas e a considerá-las com os acúmulos e desgastes do tempo. As fontes documentais e bibliográficas serviram para explicar como as memórias obtidas na pesquisa se construíram. Para elaboração das imagens relacionamos, em oficina com o Laboratório de Imagem e Estéticas Comunicacionais (CNPq-UFCA), os relatos orais dos remanescentes com as fontes audiovisuais elencadas neste trabalho, os elementos esboçados foram sistematizados com o grupo e organizados pelo orientador deste estudo. A imagem resultante foi entalhada em uma placa de madeira em tamanho A3, pelo xilógrafo da região, Abraão Batista. A gravura foi executada na UFCA campus Juazeiro do Norte em 28m², em local de grande circulação e ampla visibilidade, e como resultado foi instantaneamente divulgado, compartilhado e elogiado por todos os públicos da instituição.


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