O Desenvolvimento do Pensamento Crítico no Discente: uma proposta de Formação Docente
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Resumo
Introdução: O presente estudo analisa os efeitos de um curso de formação docente aplicado a professores do curso de Medicina, com o objetivo de compreender como essa experiência contribuiu para mudanças na percepção, na intencionalidade pedagógica e na autoconfiança dos participantes quanto à compreensão e ao uso de estratégias voltadas ao desenvolvimento do Pensamento Crítico-reflexivo no ensino em saúde. Justificativa: A motivação decorre da constatação de que, embora as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de 2014 e, sobretudo, as de 2025 enfatizem a centralidade do Pensamento Crítico e do ensino por competências, muitos docentes da área médica ainda apresentam lacunas teóricas e pedagógicas para mobilizar essa competência em sala de aula e nos cenários de prática. Problemática: A problemática centra-se na fragilidade das formações continuadas em promover transformações efetivas e sustentáveis na prática pedagógica, especialmente no que se refere à incorporação intencional de estratégias que estimulem o Pensamento Crítico e a ação reflexiva na formação médica. Objetivos: Elaborar e validar o conteúdo de um produto educacional, no formato de curso de capacitação docente, bem como analisar sua eficácia junto a professores de Medicina quanto às mudanças na percepção, na intencionalidade pedagógica e na autoconfiança relativas à compreensão e ao uso de estratégias que favoreçam o desenvolvimento do Pensamento Crítico-reflexivo. Metodologia: Trata-se de uma oficina de capacitação docente com duração de oito horas, realizada em encontro único, com a participação de nove professores de uma faculdade privada de Medicina da Baixada Santista. A formação integrou atividades teóricas, vivências práticas e momentos reflexivos, fundamentando-se nos referenciais de Paulo Freire e Donald Schön, no ciclo da aprendizagem experiencial e em metodologias ativas. A avaliação adotou abordagem quanti-qualitativa, com delineamento quase experimental, por meio de questionário estruturado com escalas de concordância, aplicado antes e após a intervenção. Resultados: Os achados indicaram avanços significativos: a proporção de docentes que declaravam compreender o conceito de Pensamento Crítico passou de 33% para 90%; o conhecimento de estratégias didáticas elevou-se de 55% para 89%; e a autopercepção de capacidade para aplicá-las aumentou de 60% para 90%. A avaliação global da oficina apresentou mais de 80% de respostas entre “Concordo” e “Concordo totalmente”, evidenciando a coerência teórico-metodológica da proposta e o fortalecimento da intencionalidade pedagógica. Produto: Resultaram dois produtos educacionais: (a) um material didático de apoio ao participante (PTT1); e (b) uma sequência didática para aplicação do curso de formação docente (PTT2), ambos alinhados às DCN 2025, às metodologias ativas e à ação crítica-reflexiva. Considerações finais: As considerações indicam que formações docentes planejadas de modo intencional, articulando teoria e prática, sustentadas por metodologias ativas favorecem transformações perceptivas, atitudinais e pedagógicas, ampliando a consciência didática e fortalecendo o papel crítico-reflexivo do professor de Medicina. Impacto: Espera-se que a continuidade de ações formativas semelhantes produza efeitos sustentáveis na qualificação da docência médica, fortalecendo práticas mais dialógicas, críticas e participativas. A médio prazo, o fortalecimento do Pensamento Crítico-reflexivo entre docentes tende a refletir-se na formação de estudantes mais autônomos, eticamente sensíveis e capazes de realizar julgamento clínico fundamentado. Em âmbito institucional, o produto validado pode contribuir para consolidar uma cultura pedagógica inovadora, alinhada às DCN e às demandas contemporâneas da educação em saúde.
