PANDEMIA E EDUCAÇÃO INFANTIL: EM TELA A ATUAÇÃO DE FAMÍLIAS PARA O ATENDIMENTO DAS ORIENTAÇÕES DAS CRECHES
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Resumo
O contexto pandêmico iniciado no Brasil em 2020 trouxe inúmeras mudancas para as organizações escolares, que tiveram de fechar seus espaços por algum tempo. Diante desse cenário, difícil para os profissionais que trabalhavam nas instituições e para os familiares, o objetivo desta pesquisa foi analisar a atuação das famílias de diferentes níveis de vulnerabilidade socioeconômica, atuaram com as crianças no período de pandemia para atender às orientações promovidas pelas creches municipais de Santo André Para a sua consecução, utilizou-se uma abordagem qualitativa, com base na teoria fundamentada, a fim de coletar e analisar os dados. O estudo contou com três fases: na primeira, ocorreu a revisão da literarura especializada; na segunda, analisaram-se alguns documentos, quais sejam, os projetos político-pedagógicos das instituições e as fichas de caracterização, preenchidas pelas famílias que residiam em regiões de maior ou menor vulnerabilidade socioeconômica do município; na terceira, realizaram-se entrevistas com as famílias de diferentes classes sociais, que vivenciaram a oferta de atendimento remoto. Os resultados mostraram que as quatro famílias de maior vulnerabilidade indicaram dificuldades para o acompanhamento das orientações das instituições. Nesse sentido, os motivos foram variados: incompatibilidade de horários de trabalho; grande demanda de organização doméstica; tempo de cuidados essenciais à criança; dificuldades pela rotina de estudo; falta de equipamentos eletrônicos, como o celular e o computador; ausência de espaços propícios para o desenvolvimento de algumas propostas; falta de materiais domésticos (papéis de texturas diferentes ou coloridos, e até mesmo tintas). Desses dados, depreende-se pouca ou nenhuma atuação das famílias mais vulneráveis em relação às orientações das creches. No período em questão, essa situação explicitou que as crianças mais pobres não tiveram seus direitos garantidos, ao contrário daquelas de origem mais abastada. Assim, as diferenças estruturais das famílias mostraram que os atendimentos às infâncias foram distintos e impactaram diretamente o desenvolvimento das crianças, com possíveis influências futuras desfavoráveis para elas e para a sociedade. Cabe ressaltar que as instituições, ao padronizarem o atendimento, ainda que não intencionalmente, deixaram de oportunizar a efetiva atuação das famílias de maior vulnerabilidade, fato contrário aos direitos das crianças mais pobres e a seu desenvolvimento. Tal padronização revelou como as unidades, por não prestarem atenção às diferenças sociais, transformaram- nas em diferenças escolares. Em suma, a pesquisa A pesquisa desvelou que a condição socioeconômica foi um dos fatores relevantes para garantir o direito à educação, diante de evidências como: a dificuldade de acesso a espaços, materiais e aparelhos necessários para o acompanhamento das orientações das creches; a terceirização de cuidados essenciais das crianças a pessoas de fora da ambiente familiar; a exposição ao vírus, entre outras necessidades de apoio psicológico ao qual as famílias mais vulneráveis não tiveram acesso. Todos esses elementos apresentados comporão um e-book, o produto deste trabalho, que ficará à disposição daqueles que estudam o tema. Por fim, espera-se ter contribuído para o debate na área.