Reconhecimento Clínico do Transtorno do Espectro Autista por Discentes de Medicina
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Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento que surge na infância e é diagnosticado com base nos critérios clínicos estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, publicado em 2022 (DSM-5-TR). Apesar da sua prevalência globalmente reconhecida, há desafios significativos na identificação precoce e no diagnóstico preciso do TEA, especialmente no contexto educacional e formativo dos profissionais de saúde. Objetivos: O objetivo principal da presente pesquisa é avaliar a habilidade de diagnóstico do TEA de estudantes do 11o e 12o períodos do curso de Medicina do campus Bela Vista da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) e identificar lacunas de conhecimento dos estudantes de Medicina em relação aos critérios diagnósticos do TEA. Tem como objetivos específicos desenvolver materiais educativos (cartilha de boas práticas, aula e um jogo de tabuleiro) para preencher as lacunas identificadas e promover a conscientização sobre o TEA entre estudantes de Medicina, profissionais de saúde e o público em geral e reescrever simbolicamente Alice no País das Maravilhas para criar uma obra literária lúdica e acessível, que represente experiências associadas ao TEA, promovendo reflexão, acolhimento e valorização da neurodiversidade entre diferentes públicos – incluindo estudantes, profissionais da saúde e a sociedade em geral. Metodologia: A metodologia adotada neste estudo de abordagem mista foi dividida em duas etapas principais. A primeira, exploratória, consistiu na aplicação de um questionário com 13 perguntas de múltipla escolha, elaborado pelo autor, para 127 estudantes de Medicina do 11o e 12o períodos da USCS para avaliar o nível de conhecimento sobre os critérios de diagnóstico do TEA, com base no DSM-5-TR. Ao identificar lacunas no aprendizado, iniciou-se a segunda etapa metodológica, voltada à construção de produtos educacionais. O primeiro produto foi uma cartilha de boas práticas para identificação do autismo, e o segundo, uma aula estruturada para capacitação de profissionais e estudantes da área da saúde. Ambos foram elaborados a partir dos resultados do mestrado, contemplando a pesquisa bibliográfica, a construção contextual e os achados empíricos. O terceiro produto foi o livro Alice: O Espectro por Trás das Maravilhas, desenvolvido a partir de uma releitura da obra original de Lewis Carroll, em que cada capítulo foi associado a critérios diagnósticos do DSM-5-TR e a temáticas relevantes do universo do autismo. O livro foi direcionado ao público em geral, escrito em linguagem acessível para ampliar sua abrangência, mas conta com um QR Code que permite ao leitor acessar o mesmo tema em uma versão mais técnica. O quarto produto foi o jogo TEAlice no País das Maravilhas, concebido como recurso lúdico de cartas e tabuleiro, com duas modalidades de jogabilidade: o Mirror Mode, baseado na associação de imagens, enigmas e cards, e o Mind Mode, em que o jogador cria códigos originais a partir das cartas, com progressão no tabuleiro. O desenvolvimento do jogo ocorreu em três etapas. A primeira foi uma oficina experimental para testar a viabilidade de uma dinâmica inspirada no jogo Dixit®, servindo de base para a formulação das regras iniciais. A segunda envolveu a construção dos elementos do jogo por meio da TACEJ (Tabela para Análise e Construção de Elementos do Jogo, criada pelo autor). Essa tabela foi fundamentada nos critérios clínicos do DSM-5-TR (A1, A2, A3, B1, B2, B3, B4) e em outros seis critérios adicionais definidos por conveniência. A partir dela foram desenvolvidas imagens com apoio do ChatGPT-4.0, cards elaborados a partir de fragmentos narrativos de Alice e enigmas criados para complementar os conteúdos. A terceira etapa foi a validação, em três fases: análise de conteúdo pelo público-alvo (12 preceptores) por meio do Índice de Validação de Conteúdo (IVC), aplicação piloto com sete alunos e validação da ludicidade com 75 participantes em cada modalidade. Nessa última fase, os dados foram analisados quantitativamente por meio de questionário baseado no Ludquest e qualitativamente por meio de uma análise de conteúdo realizada com apoio do software IRaMuTeQ. Resultado: A pesquisa avaliou o conhecimento de estudantes sobre o diagnóstico do TEA, identificando que, embora reconheçam manifestações comportamentais visíveis como comportamentos repetitivos e interesses restritos, eles apresentam lacunas significativas na compreensão dos critérios diagnósticos formais estabelecidos pelo DSM-5-TR. Com o objetivo de preencher essas lacunas, foram desenvolvidos quatro produtos educacionais. Um deles, o jogo TEAlice no País das Maravilhas, foi avaliado em várias etapas, com resultados promissores. A dinâmica de jogabilidade foi testada com mestrandas do curso de Inovação no Ensino Superior em Saúde da USCS, obtendo excelente resultado. A validação dos elementos do jogo (cartas, enigmas e cards) com o público-alvo também demonstrou um excelente resultado. Adicionalmente, um estudo piloto foi conduzido com alunos de Medicina do 11o e 12o períodos para avaliar a jogabilidade, que também foi considerada excelente, embora tenha sido identificada a necessidade de alguns ajustes nas regras. Após a implementação das alterações, a validação final da dinâmica do jogo confirmou novamente um excelente resultado. Produto: Em resposta às lacunas, foram desenvolvidos quatro produtos educacionais: uma Cartilha de Boas Práticas para a identificação do TEA; a aula “Desvendando o TEA: Da História ao Diagnóstico e Prevalência”; o jogo TEAlice no País das Maravilhas e o livro Alice: O Espectro por Trás das Maravilhas. Considerações Finais: O presente estudo identificou lacunas significativas na habilidade diagnóstica do TEA entre futuros médicos, evidenciando uma deficiência no conhecimento técnico e estrutural dos critérios do DSM-5-TR. Em conclusão, é imperativo otimizar a abordagem do TEA na graduação médica, integrando conteúdos aprofundados e práticos para formar profissionais mais competentes e sensíveis. Impacto: Os produtos educacionais, desenvolvidos a partir das lacunas identificadas na pesquisa, representam uma contribuição direta e significativa para a comunidade em geral e a comunidade acadêmica e profissional da área de saúde. Voltados inicialmente para estudantes de cursos superiores, com ênfase nos futuros médicos, esses materiais possuem um impacto multifacetado. No âmbito educacional, a criação da Cartilha de Boas Práticas, da aula “Desvendando o TEA”, do jogo TEAlice no País das Maravilhas e do livro Alice: O Espectro por Trás das Maravilhas oferece ferramentas inovadoras que complementam o currículo tradicional, promovendo uma compreensão mais interativa e lúdica do tema. Além disso, o impacto na prática profissional é notável, pois, ao capacitar os futuros profissionais com um entendimento aprofundado dos critérios formais do DSM-5-TR, os produtos contribuem para um diagnóstico mais preciso e precoce do TEA. Por fim, o impacto social da pesquisa e de seus produtos se reflete na capacidade de reduzir a desinformação e os estigmas, formando profissionais mais bem preparados para atuar em prol de uma sociedade mais inclusiva e acolhedora. O presente trabalho vai além da teoria, transformando o conhecimento em ferramentas práticas com o potencial de mudar a forma como o TEA é abordado no ensino e na prática clínica, gerando um impacto real e positivo na comunidade.
