PEDAGOGIA DA ESCUTA: A HISTÓRIA DE VIDA NO DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DE PROFESSORES E PROFESSORAS

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Resumo

A presente dissertação emerge da minha própria história de vida e do processo de constituição como professor, investigando como a Pedagogia da Escuta, pautada nas narrativas de histórias de vida de professores e professoras do ensino médio, pode contribuir para o desenvolvimento profissional docente. Diante da questão apresentada, temos como objetivo central descrever os modos pelos quais a Pedagogia da Escuta pode contribuir para o desenvolvimento profissional docente. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e delineamento de campo, com ênfase na descrição, comparação e reflexão acerca dos conceitos, cenários narrativos, sujeitos e autores que fundamentam o estudo. Essa caracterização corrobora a adoção de uma abordagem interpretativista, uma vez que os dados foram construídos socialmente e de maneira colaborativa, por meio de narrativas e produções elaboradas pelos próprios professores e professoras participantes da pesquisa aplicada. Em um cenário educacional atravessado por exigências técnicas, fragmentação das práticas e desafios relacionados à gestão do tempo, este estudo propõe a valorização da Pedagogia da Escuta como uma atitude formativa e valorativa, sustentada por autores como Rinaldi, Malaguzzi, Dowbor, Dunker, Bragança, Nogueira e Freire. A investigação reconhece, ainda, as histórias de vida como fontes legítimas de conhecimento e formação, dialogando com os aportes teóricos de Nóvoa, Vaillant, Garcia, Chauí, Nias, Momberger, Imbernón, Dominicé, Apple e Jungck, entre outros. Tais referenciais contribuem para compreender que os educadores constroem suas trajetórias pessoais e profissionais a partir de experiências marcadas desde a infância, quando já brincavam de ser professores e professoras, até os desafios enfrentados no seio familiar, as inspirações docentes que os influenciaram, as vivências escolares e universitárias significativas e os primeiros contatos com a prática pedagógica em sala de aula. Esses percursos revelam-se como processos formativos orgânicos, compostos por aprendizagens cotidianas que articulam o “aprender a aprender”, o “ser”, o “conviver” e o “fazer”, tendo, como catalisadoras, as histórias de vida. Com base na metodologia inspirada nos estudos de Delory-Momberger, foi desenvolvido um Ateliê de Produções de Relatos e Escutas com sete docentes da Escola Social Marista, situada na zona leste da cidade de São Paulo. Por meio do compartilhamento de experiências, os participantes puderam reconhecer o valor formativo de suas trajetórias, promovendo uma ressignificação da profissão e de suas práticas pedagógicas, além do fortalecimento da identidade profissional. A análise dos dados evidencia que a escuta sensível e a partilha de narrativas configuram-se como dispositivos potentes de transformação das ações educativas e de reconhecimento das subjetividades docentes como elementos centrais da formação. Como produto educacional, foram desenvolvidos: o guia “Mandala da Vida: Ateliês de Produção de Relatos e Escutas” e o jogo de cartas “Eu relato, você escuta!”, cujo objetivo é promover a replicabilidade da proposta. A pesquisa aponta, portanto, para a urgência da criação de tempos e espaços formativos, como itinerários, que priorizem a escuta ativa, o acolhimento e a valorização das histórias de vida, considerando, ainda, seus desejos, necessidades e desafios reais, reconhecendo que, ao acolher suas vozes por meio da escuta, possibilita-se o desdobramento de práticas que verdadeiramente potencializam seu desenvolvimento profissional e existencial.


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