Navegando por Autor "Prof. Dr. Jason Ferreira Mafra"
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Item OS CÍRCULOS DE CULTURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: CONSTRUINDO UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA DIALÓGICA(2018-02-27) Renata Fernandes Borrozzino Marques; Profª. Drª. Marta Regina Paulo da Silva; Profa. Dra. Marta Regina Paulo da Silva; Profa. Dra. Maria de Fátima Ramos de Andrade; Prof. Dr. Jason Ferreira MafraEsta dissertação de mestrado apresenta os resultados de uma pesquisa realizada com crianças de 5 anos de idade em uma pré-escola municipal de Santo André/SP. Trata-se de uma pesquisa do tipo intervenção pedagógica, que teve como objetivo central construir uma prática pedagógica dialógica que se contraponha à perspectiva antidialógica e escolarizante que vem marcando a educação infantil. Parte do pressuposto de que meninos e meninas, desde que nascem, leem o mundo e o comunicam através de suas múltiplas linguagens. Contudo, em uma sociedade adultocêntrica como a brasileira, as vozes das crianças terminam por serem silenciadas nas diferentes instâncias de socialização, dentre elas as instituições educacionais. Norteada pela pergunta é possível construir uma prática pedagógica dialógica com crianças de 5 anos a partir dos círculos de cultura?, a pesquisa procurou identificar quais os elementos que constituiriam o trabalho com o círculo de cultura na educação infantil. Para isso, problematizou o silenciamento imposto às crianças e a urgência em escutá-las, tendo como referencial teórico os estudos de Paulo Freire em uma interlocução com pesquisadores(as) da área da infância, como Sonia Kramer, Adilson de Angelo, Marta Regina Paulo da Silva e Daniela Finco. A intervenção se deu a partir da realização de círculos de cultura que tiveram como tema gerador as relações de gênero, visto ter sido este um tema recorrente entre as crianças e dada a sua relevância frente à sociedade heteronormativa em que vivemos. Os resultados da pesquisa demonstram que a leitura que as crianças fazem de mundo está impregnada de vida, das suas vivências cotidianas, que, por meio de um movimento dinâmico se apropriam, confrontam e ressignificam a cultura. No que se refere às questões de gênero, reproduzem valores machistas ao mesmo tempo em que borram suas fronteiras revelando que para elas o binômio masculino e feminino ainda não se apresenta tão dicotomizado. Os dados evidenciam ainda o caráter diálogo que se estabeleceu nos círculos de cultura entre as crianças, entre elas mesmas e a docente-pesquisadora, marcado pelo respeito e pela amorosidade. Como produto final desta pesquisa, está sendo apresentada uma proposta com os princípios e diretrizes para o trabalho com círculos de cultura na educação infantil, no intuito de subsidiar os(as) educadores(as). Conclui-se este trabalho ciente dos limites que o circunscrevem e reconhecendo a necessidade de novas pesquisas que investiguem os desafios e as possibilidades do trabalho com os círculos de cultura na educação infantil.Item ‘SE FOSSE UM PASSARINHO, TAMBÉM IRIA VOAR’: A ESCOLA E A EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL(2021-09-12) Mariana de Almeida de Moura; Profa. Dra. Marta Regina Paulo da Silva; Profa. Dra. Marta Regina Paulo da Silva; Profa. Dra. Sanny Silva da Rosa; Prof. Dr. Jason Ferreira MafraEm defesa de uma escola pública pertencente ao povo e destinada a todos e todas, a luta por uma educação equitativa é dever dos(as) que dela fazem parte. Nessa perspectiva inclusiva, a presente pesquisa objetivou compreender como vem sendo construído o fazer pedagógico no cotidiano da escola com crianças sob tutela do Estado, segundo a percepção de seus professores e professoras. Para tanto, elaborou-se uma caracterização, fundamentada em documentos legais, de quem são os meninos e as meninas em situação de institucionalização pelo viés interseccional, a fim de, posteriormente, verificar e analisar as percepções das(os) docentes sobre essas crianças e sobre a educação a elas oferecida. Trata-se de uma pesquisa exploratória, com abordagem qualitativa, baseada nos seguintes procedimentos metodológicos: análise dos relatórios e dos levantamentos acerca dos dados nacionais e municipais que caracterizam a institucionalização infantil e sua estruturação, bem como entrevistas semiestruturadas com seis docentes que atuam ou atuaram com crianças em situação de acolhimento institucional na Região do Grande ABC Paulista, identificados(as) e selecionados(as) por meio da técnica “bola de neve” (snowball). O referencial teórico dialoga com a epistemologia freiriana, a sociologia da infância e com os estudos sobre interseccionalidade e interculturalidade. Os resultados revelam as escolas ainda como mantenedoras de processos excludentes, balizados por um currículo escolar, muitas vezes, reducionista e engessado, dada a existência de preconceitos e preconcepções estereotipadas, bem como de uma visão da criança sob tutela pública como sujeito da falta, carente, violento, agressivo e triste. Ademais, observa-se uma precária organização escolar, o que culmina em uma prática pedagógica marcada por angústias relacionadas ao fato de não saber como atender às crianças acolhidas, sem que lhes sejam assegurados protagonismo, diálogo e escuta nas decisões que envolvem suas vidas no chão da escola. Os(as) docentes evidenciam não somente a carência de formações acerca do trato com essas crianças, mas também outros dificultadores nesse processo, tais como: a falha comunicação com os serviços de acolhimento; o caráter homogeneizador da própria escola no que tange ao acolhimento desses(as) meninos e meninas; a ausência de clareza quanto aos históricos de vida que os(as) acompanham e a tensão entre as necessidades de aprendizagem, disciplina e afetividade. Em contrapartida, relataram-se possibilidades e estruturaram-se vivências com vistas a uma pedagogia amorosa, emancipadora e humanizada. Como desdobramento dessa investigação, partindo das necessidades e sugestões dos(as) participantes, elaborou-se uma proposta de formação para estudantes, docentes e gestores(as). O objetivo é permitir-lhes conhecer as especificidades das crianças em situação de acolhimento institucional, dialogando sobre a urgente necessidade de rever os currículos escolares, bem como de escutar e olhar a criança acolhida, uma vez que a escola deve ser um ambiente de possibilidades emancipadoras e de combate a toda tentativa de reducionismo e segregação.