Navegando por Autor "Profa. Dra. Zeila de Brito Fabri Demartini"
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Item EDUCADORAS DE BEBÊS: DESAFIOS NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE PROFISSIONAL(2018-10-04) Marilda Capitulina Costa Salgado; Profª. Drª. Marta Regina Paulo da Silva; Profa. Dra. Marta Regina Paulo da Silva; Profa. Dra. Maria de Fátima Ramos de Andrade; Profa. Dra. Zeila de Brito Fabri DemartiniEsta dissertação apresenta os resultados de uma pesquisa realizada com educadoras de bebês das escolas municipais integradas (EMIs) de São Caetano do Sul/SP. Trata-se de uma pesquisa qualitativa inspirada em abordagens biográficas, que utilizou relatos orais em forma de depoimentos, fontes iconográficas, documentações oficiais (regimento escolar) e não oficiais (portfólios e registros de educadoras). Teve como objetivo compreender como as educadoras de bebês da Rede Municipal de Educação de São Caetano do Sul vêm constituindo sua identidade profissional. Parte do pressuposto de que a relação adulto-bebê nos berçários é relevante e que a qualidade do trabalho pedagógico está diretamente relacionada à formação dos(as) profissionais que neles atuam. Procurou compreender essa identidade dentro de um contexto histórico que envolveu um resgate da história do atendimento aos bebês nas creches e EMIs. Por meio da pesquisa tal história pôde ser sistematizada, uma vez que não havia registros da mesma, estando ela em poder das pessoas que a viveram. Como referencial teórico, utilizou-se dos estudos de Zygmunt Bauman, Claude Dubar, Stuart Hall, Zeila de Brito Fabri Demartini, Maria Carmen Silveira Barbosa, Anna Tardos, Emmi Pikler, Loris Malaguzzi, entre outros(as). Os resultados evidenciam um modelo de atendimento exclusivamente assistencialista nos primeiros anos dos berçários no município. Diante das demandas que surgiam no dia a dia, as educadoras foram construindo seus fazeres e saberes apoiadas em conhecimentos de senso comum e também naqueles adquiridos em formações em serviço, planejadas e desenvolvidas por diretoras e professoras das próprias unidades educacionais, que buscavam qualificar o trabalho. O Projeto Bebê 2000, considerado pelas educadoras como a primeira ação formativa dedicada às auxiliares, promoveu a reorganização dos espaços dos berçários trazendo uma nova concepção de atendimento que passou a compreender a potência dos bebês como seres que se relacionam por meio de muitas linguagens. O envolvimento de todos(as) que participaram desse processo, que objetivava a qualificação das práticas, foi fundamental para que mudanças significativas ocorressem; no entanto, a pesquisa revela que a atuação de profissionais sem formação em magistério nos berçários produziu um contexto no qual as educadoras vêm assumindo atribuições de auxiliares e de docentes, onde se observa uma dicotomização do cuidar e educar presente nos relatos das educadoras, que classificam as práticas como pedagógicas e não pedagógicas, sendo que essas últimas, referem-se aos cuidados com alimentação e higiene. A análise do regimento escolar indica que tal documento não define, com clareza, as atribuições das auxiliares berçaristas, uma vez que não considera as especificidades inerentes à prática da docência com bebês, como também o contexto dos berçários do município, que se configura pela ausência de professor(a). A complexidade que envolve a docência de bebês requer uma sólida qualificação profissional, dadas as especificidades inerentes à profissão, sendo primordial o investimento tanto na formação inicial quanto na continuada, caso contrário, como salientam as educadoras que participaram da pesquisa, há risco de constantes retrocessos que podem levar ao antigo modelo assistencialista.