Eduardo de Camargo OlivaDébora Bruna Alves Almeida2025-01-232025-01-232022-06-28https://repositorio.uscs.edu.br/handle/123456789/613A voz do trabalhador é tida como a manifestação discricionária de ideias e sugestões que visem a melhoria organizacional e, de forma mais ampla, como a expressão de reclamações e denúncias que visem a correção de situações danosas. Este conceito vem sendo bastante explorado na literatura internacional, com relevância para diversas áreas de estudo, visto que pode levar a múltiplos resultados positivos para as organizações. O silêncio ocorre quando o trabalhador retém de forma deliberada essas informações, o que na maioria das vezes tem sido considerado algo ruim para as organizações e para os próprios trabalhadores, mas em alguns contextos também pode ter implicações positivas. No Brasil, existem poucas pesquisas sobre o tema e, em geral, são poucos os trabalhos realizados com trabalhadores e organizações do setor público. Assim, esta pesquisa foi guiada pelo seguinte questionamento: de que modo se manifestam a voz e o silêncio de trabalhadores vinculados ao setor público federal, considerando os regimes de trabalho estatutário e celetista? Para responder este questionamento, o trabalho teve como objetivo analisar os comportamentos de voz e silêncio de servidores e empregados públicos do Governo Federal. A pesquisa se classifica como descritiva e exploratória, com procedimentos metodológicos de abordagem mista, na qual a coleta de dados ocorreu por meio de realização de entrevistas com 16 trabalhadores e aplicação de questionários com 532 respondentes. Os dados qualitativos foram analisados por meio de análise de conteúdo e os dados quantitativos por meio de análises multivariadas, como análise fatorial e de regressão. Os resultados apontaram que a voz e o silêncio pró-sociais são manifestados com maior frequência pelos empregados e servidores públicos do que a voz e o silêncio pró-individuo. Também se observou que a percepção de suporte organizacional, assim como outras variáveis, como ocupação de cargo de gestão, tempo de serviço na organização, idade, tipo de vínculo e área de atuação, possuem influência nos comportamentos de voz e silêncio do público-alvo investigado. Notou-se que o tipo de gestão possui papel central na decisão do funcionário de falar ou silenciar sobre questões de trabalho. Verificou-se ainda a presença de outros antecedentes de voz e silêncio, como resignação, temor de retaliações, apoio ou dissuasão dos colegas, personalidade, dentre outros. Os principais canais de voz identificados são canais informais e diretos, tendo como principal receptor o chefe. Os resultados deste estudo contribuem para o aumento do conhecimento sobre a temática voz e silêncio do trabalhador no contexto nacional e subsidiam a reflexão sobre a importância destes conceitos para as organizações públicas.The worker's voice is seen as the discretionary expression of ideas and suggestions aimed at organizational improvement and, more broadly, as the expression of complaints and denunciations aimed at correcting harmful situations. This concept has been extensively explored in the international literature, with relevance to several areas of study, as it can lead to multiple positive results for organizations. Silence occurs when the worker deliberately withholds this information, which in most cases has been considered bad for organizations and for workers themselves, but in some contexts it can also have positive implications. In Brazil, there is little research on the subject and, in general, there are few works carried out with workers and organizations in the public sector. Thus, this research was guided by the following question: how is the voice and silence of workers linked to the federal public sector manifested, considering the statutory and CLT work regimes? To answer this question, the study aimed to analyze the voice and silence behaviors of public servants and employees of the Federal Government. The research is classified as descriptive and exploratory, with methodological procedures of a mixed approach, in which data collection took place through interviews with 16 workers and application of questionnaires with 532 respondents. Qualitative data were analyzed through content analysis and quantitative data through multivariate analyses, such as factor analysis and regression. The results showed that the pro-social voice and silence are manifested more frequently by employees and public servants than the pro-individual voice and silence. It was also observed that the perception of organizational support, as well as other variables, such as occupation of a management position, length of service in the organization, age, type of bond and area of activity, have an influence on the voice and silence behaviors of the investigated target audience. It was noted that the type of management plays a central role in the employee's decision to speak or be silent about work issues. There was also the presence of other antecedents of voice and silence, such as resignation, fear of retaliation, support or dissuasion from colleagues, personality, among others. The main voice channels identified are informal and direct channels, having the chief as the main receiver. The results of this study contribute to the increase of knowledge on the subject of voice and silence of the worker in the national context and subsidize the reflection on the importance of these concepts for public organizations.A VOZ E O SILÊNCIO DE TRABALHADORES DO SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL BRASILEIRO.