Prof. Dr. Paulo Sérgio GarciaVERONICA LUZIA DA SILVA2025-01-232025-01-23https://repositorio.uscs.edu.br/handle/123456789/753O contexto pandêmico iniciado no Brasil em 2020 trouxe inúmeras mudancas para as organizações escolares, que tiveram de fechar seus espaços por algum tempo. Diante desse cenário, difícil para os profissionais que trabalhavam nas instituições e para os familiares, o objetivo desta pesquisa foi analisar a atuação das famílias de diferentes níveis de vulnerabilidade socioeconômica, atuaram com as crianças no período de pandemia para atender às orientações promovidas pelas creches municipais de Santo André Para a sua consecução, utilizou-se uma abordagem qualitativa, com base na teoria fundamentada, a fim de coletar e analisar os dados. O estudo contou com três fases: na primeira, ocorreu a revisão da literarura especializada; na segunda, analisaram-se alguns documentos, quais sejam, os projetos político-pedagógicos das instituições e as fichas de caracterização, preenchidas pelas famílias que residiam em regiões de maior ou menor vulnerabilidade socioeconômica do município; na terceira, realizaram-se entrevistas com as famílias de diferentes classes sociais, que vivenciaram a oferta de atendimento remoto. Os resultados mostraram que as quatro famílias de maior vulnerabilidade indicaram dificuldades para o acompanhamento das orientações das instituições. Nesse sentido, os motivos foram variados: incompatibilidade de horários de trabalho; grande demanda de organização doméstica; tempo de cuidados essenciais à criança; dificuldades pela rotina de estudo; falta de equipamentos eletrônicos, como o celular e o computador; ausência de espaços propícios para o desenvolvimento de algumas propostas; falta de materiais domésticos (papéis de texturas diferentes ou coloridos, e até mesmo tintas). Desses dados, depreende-se pouca ou nenhuma atuação das famílias mais vulneráveis em relação às orientações das creches. No período em questão, essa situação explicitou que as crianças mais pobres não tiveram seus direitos garantidos, ao contrário daquelas de origem mais abastada. Assim, as diferenças estruturais das famílias mostraram que os atendimentos às infâncias foram distintos e impactaram diretamente o desenvolvimento das crianças, com possíveis influências futuras desfavoráveis para elas e para a sociedade. Cabe ressaltar que as instituições, ao padronizarem o atendimento, ainda que não intencionalmente, deixaram de oportunizar a efetiva atuação das famílias de maior vulnerabilidade, fato contrário aos direitos das crianças mais pobres e a seu desenvolvimento. Tal padronização revelou como as unidades, por não prestarem atenção às diferenças sociais, transformaram- nas em diferenças escolares. Em suma, a pesquisa A pesquisa desvelou que a condição socioeconômica foi um dos fatores relevantes para garantir o direito à educação, diante de evidências como: a dificuldade de acesso a espaços, materiais e aparelhos necessários para o acompanhamento das orientações das creches; a terceirização de cuidados essenciais das crianças a pessoas de fora da ambiente familiar; a exposição ao vírus, entre outras necessidades de apoio psicológico ao qual as famílias mais vulneráveis não tiveram acesso. Todos esses elementos apresentados comporão um e-book, o produto deste trabalho, que ficará à disposição daqueles que estudam o tema. Por fim, espera-se ter contribuído para o debate na área.The pandemic context that started in Brazil in 2020 brought numerous changes to school organizations, which had to close their spaces for some time. Faced with this scenario, difficult for professionals working in institutions and for family members, the objective of this research was to analyze the performance of families with different levels of socioeconomic vulnerability, who worked with children during the pandemic period to meet the guidelines promoted by municipal day care centers. de Santo André For its achievement, a qualitative approach was used, based on grounded theory, in order to collect and analyze data. The study had three phases: in the first, there was a review of the specialized literature; in the second, some documents were analyzed, namely, the political-pedagogical projects of the institutions and the characterization forms, filled in by families residing in regions of greater or lesser socioeconomic vulnerability in the municipality; in the third, interviews were carried out with families from different social classes, who experienced the provision of remote assistance. The results showed that the four most vulnerable families indicated difficulties in following the institutions' guidelines. In this sense, the reasons were varied: incompatibility of working hours; great demand for domestic organization; essential child care time; difficulties with the study routine; lack of electronic equipment, such as cell phones and computers; absence of favorable spaces for the development of some proposals; lack of domestic materials (papers with different textures or colors, and even paints). From these data, it appears little or no action by the most vulnerable families in relation to the guidelines of the day care centers. In the period in question, this situation explained that the poorest children did not have their rights guaranteed, unlike those from more affluent backgrounds. Thus, the structural differences of the families showed that the services provided to children were different and directly impacted the development of the children, with possible unfavorable future influences for them and for society. It should be noted that the institutions, by standardizing care, even if unintentionally, failed to provide opportunities for the effective action of the most vulnerable families, a fact contrary to the rights of the poorest children and their development. Such standardization revealed how the units, by not paying attention to social differences, turned them into school differences. In short, the research The research revealed that the socioeconomic condition was one of the relevant factors to guarantee the right to education, in the face of evidence such as: the difficulty of accessing the spaces, materials and devices necessary for monitoring the guidelines of day care centers; the outsourcing of essential child care to people outside the family environment; exposure to the virus, among other needs for psychological support to which the most vulnerable families did not have access. All these elements presented will compose an e-book, the product of this work, which will be available to those who study the subject. Finally, we hope to have contributed to the debate in the area.PANDEMIA E EDUCAÇÃO INFANTIL: EM TELA A ATUAÇÃO DE FAMÍLIAS PARA O ATENDIMENTO DAS ORIENTAÇÕES DAS CRECHES